E viu também uma pobrezinha viúva, que lançava duas pequenas moedas.
O ensinamento do óbulo da viúva traz em si a união dos conceitos de cumprimento de tarefa e o de aquisição dos bons sentimentos ensinados por Jesus, colocando, como sempre, o poder de realizar ações corretas, amorosas e edificantes ao nosso alcance.
Na finalização desta passagem, Jesus deixa claro que há mais valor em dar daquilo que nos é necessário do que ofertar aos outros apenas o nosso supérfluo. É uma passagem que, caso entendida de modo incompleto, poderia desvalorizar as atitudes que a bondade em construção nos nossos corações aliada à nossa consciência determina que façamos.
A visão é maior do que geralmente se pensa pois quando o mestre estabeleceu essa comparação, foi para, entre outros pontos, determinar o valor exato do que é da nossa tarefa e do que é do uso belo de nosso livre arbítrio, estabelecendo, ainda, de modo indireto, a realidade de reencarnação.
Todas as situações que regem nossa vida foram previstas no nosso programa de reencarnação. Diz-se de "situações", como riqueza, pobreza e status social, entre outras, visto que as particularidades ocorrentes nesses meios obedecem às nossas escolhas diárias.
Observando o capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que aborda a utilidade da riqueza material, podemos entender que se qualquer situação de abundância está ao nosso alcance, é para que façamos com isso o progresso e o bem estar dos que estão a nossa volta. Assim, ao distribuirmos com bom senso e justiça, direta ou indiretamente, aquilo que temos a mais, estaremos dando conta da tarefa que nos cabe, o que traz em si o glorioso valor de uma missão sendo bem cumprida e todas as alegrias e bons dividendos que a justiça de Deus nos proporcionará nesse sentido.
Por outro lado, quando temos o apenas necessário em algum sentido e permitimos ser tão tocados no íntimo pela necessidade do outro de forma a querermos supri-la antes mesmo da nossa, estaremos dando espaço para que os sentimentos de abnegação, de fraternidade e de amor ao próximo floresçam, enfim, em nosso interior.
Essas situações aceleram tanto o nosso processo evolutivo quando o do meio onde estamos simplesmente porque perfazem a metade dos objetivos da encarnação humana.
Trata-se, resumidamente, da redução de nosso sofrimentos por dois motivos principais: primeiro, que, com essa visão, é certo que façamos menos escolhas incorretas, o que nos trará, por lógica, menos pontos a expiar em futuras encarnações. E segundo que, de acordo com Emmanuel, se estrivermos exercitando o bem quando a Justiça de Deus passar para cobrar nossas dívidas, ela acabará por descartá-las.
Por isso, o Mestre disse que ações assim tinham mais valor: é que, por elas, é mais rápida e menos dolorosa nossa caminhada rumo à perfeição e, por conseqüência, à felicidade superior. Assim, tanto há certeza de acerto no dar da abundância quanto no dar do que é necessário; o que difere as duas situações é o tipo de excelentes dividendos que colheremos durante e após essa existência. No entanto, cabe a nós utilizarmos o bom senso, o amor e a razão para cada uma das situações que chegarem, tendo em vista a nossa real posição, procurando ver as reais conseqüências de nossos atos e tendo como estímulo o sublime pensamento trazido por Chico Xaivier, que diz:
"Embora ninguém possa voltar no tempo para fazer um novo começo,
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