terça-feira, 10 de julho de 2007

Receita para fazer milagres

A fé humana e a divina

No homem, a fé é o sentimento pré-existente de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das coisas imensas que realmente pode fazer, que foram colocadas como sementes no seu íntimo, a princípio em estado latente, para que ele faça aflorar e desenvolver usando sua vontade.

Até agora, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a identificou como uma alavanca poderosa e porque vêem Jesus apenas como chefe de uma religião. Entretanto, o Cristo, que fez milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmo, o que o homem pode fazer quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode ser realizada. Os apóstolos também não fizeram milagres, seguindo o exemplo d’Ele? Ora, o que eram esses milagres, a não ser efeitos naturais, cujas causas os homens daquele tempo desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que, pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo, tornar-se-ão completamente compreensíveis?

A fé é humana se o homem aplicar o seu potencial na satisfação de suas necessidades terrestes, e é divina se agir assim para com as suas aspirações celestiais e futuras. O intelectual, que se dedica à realização de algum grande empreendimento, tem sucesso nele se tem fé, porque sente em si que pode e que vai chegar ao fim que planejou, certeza essa que lhe dá imensa força. O homem de bem que, acreditando em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, consegue na sua fé e na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e assim faz os milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há o que não se possa vencer, por mais mau que seja.

O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé colocada em ação. É pela fé que ele cura e produz esses acontecimentos singulares, chamados, em outro tempo, de milagres.

Repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados sentissem verdadeiramente a força que trazem em si e se quisessem pôr a sua vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, eles chamaram de milagres e que, no entanto, não passam de um desenvolvimento do potencial humano.
(Um Espírito Protetor, Paris, 1863)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap XIX, item 12)

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